
O segundo painel foi composto por Maria João Taborda (ERC), Paulo Couraceiro (Obercom), Paulo Ribeiro (CPCJ), Ana Isabel Costa (Sindicato dos Jornalistas), Jacinto Godinho (RTP) e Maria José Mata (Professora da ESCS e moderadora)
O segundo painel da conferência ‘Perspetivas sobre o futuro do Jornalismo’ da parceira CNID – ESCS era institucional. Com a superior moderação da Professora Maria José Mata (Escola Superior da Comunicação Social), tivemos no palco Jacinto Godinho (jornalista da RTP e investigador no Cicant), Paulo Couraceiro (Obercom e Universidade do Minho), Ana Isabel Costa (vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas e jornalista da Antena Um), Paulo Ribeiro (Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas) e Maria João Taborda (assessora do Conselho Regulador da Entidade Reguladora da Comunicação).

Ana Isabel Costa: ‘O jornalismo está a mudar’
Ana Isabel Costa começou com uma nota positiva: ‘O jornalismo não morreu e não vão morrer – só está a mudar’. Desviou depois para a segurança dos Jornalistas e lembrou que o SJ faz parte da Comissão de Proteção dos Jornalistas, criada pelo Governo e tem tido reuniões com as autoridades policiais, ‘porque ninguém pode ser livre se não se sentir seguro’. Sublinhou que a ‘melhor profissão do mundo, como lhe chamou Garçia Marquez, o é em grande parte porque tem acesso às fontes e isso é garantido por lei, é um dos direitos dos jornalistas’. Mas lembrou que também ‘ninguém é livre se estiver a contar o dinheiro até ao fim do mês, se não tiver dinheiro para ir a um teatro, ou a um espetáculo. A precariedade é uma das coisas que nos frustra mais’. Para a vice-presidente do SJ, ‘o jornalista não se pode tornar irrelevante, tem uma carteira profissional e obedece a um código deontológico – não somos influencers, porque temos esse código a que devemos obedecer porque a Ética é inegociável’.

Paulo Ribeiro (Comissão da Carteira): ‘Os clubes podem ter órgãos de comunicação desde que inseridos num departamento com autonomia’
Tendo em conta que estavam na sala vários estudantes, Paulo Ribeiro (Comissão da Carteira) lembrou que ‘o art. 5 da Lei de Imprensa obriga a ter carteira profissional. Às vezes ouve-se: carteira profissional para quê? É que se não tiver não pode ser jornalista e não pode, por exemplo, dizer a um juiz que não revela a sua fonte porque não tem esse direito. A proteção das fontes é um dos direitos dos jornalistas’.
Sublinhou que um clube desportivo ‘pode ter um órgão de comunicação social – tem é que ter um departamento próprio’ e que tenha a autonomia necessária. Criticou também que o Estado tenha lançado a iniciativa das assinaturas gratuitas de jornais e não o tenha estendido aos jornais desportivos.

Maria João Taborda (ERC): ‘Nos últimos dez anos, em números redondos, o numero de títulos de Imprensa baixou de 3000 para metade’
Maria João Taborda, assessora do Conselho Regulador da ERC, explicou que a ERC ‘regula meios, não regula jornalistas’, mas há uma vertente que toca os jornalistas e esse é o do acesso às fontes. ‘Quando temos queixas desse género, procuramos dar-lhes prioridade’.
Maria João Taborda chamou a atenção para o facto de nos últimos 15 anos ‘o número de títulos de Imprensa baixou de cerca de 3000 para 1500, números redondos’, o que quer dizer alguma coisa. E sublinhou que a liberdade de Imprensa ‘é condicionada por vários fatores sejam económicos, políticos ou geopolíticos mas no nosso caso é mais o económico’, sublinhando como hoje há muitas plataformas que estão em mãos duvidosas. ‘Elas nem têm rosto em Portugal, mas seguindo a sua ação vê -se que não é por acaso que vemos, por exemplo, ataques furiosos de donos dessas plataformas contra a Comissão Europeia e que não acontecem por acaso – as liberdades estão sob ataque’. Para a assessora da ERC ‘o Jornalismo perdeu percepção de valor’ ainda que continue fundamental na sociedade.

Jacinto Godinho (RTP): ‘Os jornalistas têm que ter iniciativa e ser um jornalista realizado e bem pago não está fora de causa’
Jacinto Godinho, que tem uma atividade de professor para além de ser Jornalista, elogiou a ação do CNID, lembrando passos da sua história e relevando ‘que o CNID foi uma das primeiras associações a lutar pela dignificação da profissao’.
Fez um repto a certa altura: ‘O jornalista tem que ter iniciativa, tem que fazer uma coisa que hoje vejo pouco que é procurar a noticia e depois tem que procurar ser bom nisso, encontrar formas imaginativas de dar a notícia. O Jornalismo está em dificuldades mas outras profissões também estão. O jornalista tem que ser melhor, quanto melhor souber ler a realidade melhor será, melhores reportagens fará seguramente. E não está fora de causa ser um jornalista realizado e bem pago – há muitos’. Godinho esteve muito ligado à Comissão da Carteira e deixou um número: ‘As carteiras estabilizaram à volta dos 5 mil, mas há também os equiparados e diretores equiparados que são um problema’.

Paulo Couraceiro (Obercom): ‘Os estudos mostram que os jornalistas recorrem muito ao chatgpt para confirmar factos’
Paulo Couraceiro, do Obercom, falou dos estudos que têm sido feitos sobre as mudanças tecnológicas do jornalismo. Os estudos ‘mostram o receio da incerteza perante o futuro’ da Inteligência Artificial por exemplo. Mas quando lhes perguntam sobre as mudanças tecnológicas que enfrentaram nos últimos dez anos e foram muitas também, ‘a resposta em grande maioria, de 70%, é que se adaptaram bem’. Falou da tendência ‘que se nota de uma maior dependência tecnologica’ é um terço diz que utiliza o chatgpt ‘para confirmar factos’, o que não é muito jornalístico e falou ‘dos vieses das ferramentas algorítmicas’, que nem sempre são fiáveis. E falou ‘do lado humano do relacionamento com as fontes’ que dificilmente pode ser feito através da tecnologia. E lembrou como o jornalismo desportivo é importante como forma de ‘unir comunidades’ por exemplo.