Conferência. ESCS interessada numa parceria com o CNID

Prof. Jorge Veríssimo, prof. Sandra Miranda e Manuel Queiroz na cerimónia de abertura (da direita para a esquerda) – Fotos Nuno Reis

A Conferência ‘Perspetivas sobre o presente e o futuro do Jornalismo de Desporto’, uma parceria do CNID com a ESCS, teve uma cerimónia de abertura em que esteve presente a Prof. Sandra Miranda, em representação do diretor da Escola Superior de Comunicação Social, e ainda o Prof. Jorge Veríssimo, diretor do LIACOM (Laboratory of Applied Research in Communication and Media).

A prof. Sandra Miranda falou do gosto em ter na escola um evento como este, felicitou o CNID pro seu 60. aniversário e mostrou-se aberta a mais realizações como aquela, sublinhando a grande presença de alunos, seguramente mais de cem numa sala que ficou pequena.

Jorge Veríssimo abundou na mesma ideia, também felicitou o CNID pelo aniversário cujas comemorações começaram ali e falou mesmo na possibilidade de uma parceria com a Associação dos Jornalistas de Desporto.

Jorge Trindade (Professor da ESCS) e Jorge Veríssimo (Presidente do Liacom e professor da ESCS)

Manuel Queiroz, presidente do CNID, lembrou a história da fundação do CNID, muito ligada ao Mundial de futebol de 1966 e mostrou total abertura para aprofundar os laços com a ESCS, porque será do maior interesse para ambas as partes.

Luís Cristóvão,
Vice-presidente do CNID e moderador do primeiro painel

 

 

Conferência CNID-ESCS: ‘O jornalista tem que ser melhor’

O segundo painel foi composto por Maria João Taborda (ERC), Paulo Couraceiro (Obercom), Paulo Ribeiro (CPCJ), Ana Isabel Costa (Sindicato dos Jornalistas), Jacinto Godinho (RTP) e Maria José Mata (Professora da ESCS e moderadora)

O segundo painel da conferência ‘Perspetivas sobre o futuro do Jornalismo’ da parceira CNID – ESCS era institucional. Com a superior moderação da Professora Maria José Mata (Escola Superior da Comunicação Social), tivemos no palco Jacinto Godinho (jornalista da RTP e investigador no Cicant), Paulo Couraceiro (Obercom e Universidade do Minho), Ana Isabel Costa (vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas e jornalista da Antena Um), Paulo Ribeiro (Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas) e Maria João Taborda (assessora do Conselho Regulador da Entidade Reguladora da Comunicação).

Ana Isabel Costa: ‘O jornalismo está a mudar’

Ana Isabel Costa começou com uma nota positiva: ‘O jornalismo não morreu e não vão morrer – só está a mudar’. Desviou depois para a segurança dos Jornalistas e lembrou que o SJ faz parte da Comissão de Proteção dos Jornalistas, criada pelo Governo e tem tido reuniões com as autoridades policiais, ‘porque ninguém pode ser livre se não se sentir seguro’. Sublinhou que a ‘melhor profissão do mundo, como lhe chamou Garçia Marquez, o é em grande parte porque tem acesso às fontes e isso é garantido por lei, é um dos direitos dos jornalistas’. Mas lembrou que também ‘ninguém é livre se estiver a contar o dinheiro até ao fim do mês, se não tiver dinheiro para ir a um teatro, ou a um espetáculo. A precariedade é uma das coisas que nos frustra mais’. Para a vice-presidente do SJ, ‘o jornalista não se pode tornar irrelevante, tem uma carteira profissional e obedece a um código deontológico – não somos influencers, porque temos esse código a que devemos obedecer porque a Ética é inegociável’.

Paulo Ribeiro (Comissão da Carteira): ‘Os clubes podem ter órgãos de comunicação desde que inseridos num departamento com autonomia’

Tendo em conta que estavam na sala vários estudantes, Paulo Ribeiro (Comissão da Carteira) lembrou que ‘o art. 5 da Lei de Imprensa obriga a ter carteira profissional. Às vezes ouve-se: carteira profissional para quê? É que se não tiver não pode ser jornalista e não pode, por exemplo, dizer a um juiz que não revela a sua fonte porque não tem esse direito. A proteção das fontes é um dos direitos dos jornalistas’.

Sublinhou que um clube desportivo ‘pode ter um órgão de comunicação social – tem é que ter um departamento próprio’ e que tenha a autonomia necessária. Criticou também que o Estado tenha lançado a iniciativa das assinaturas gratuitas de jornais e não o tenha estendido aos jornais desportivos.

Maria João Taborda (ERC): ‘Nos últimos dez anos, em números redondos, o numero de títulos de Imprensa baixou de 3000 para metade’

Maria João Taborda, assessora do Conselho Regulador da ERC, explicou que a ERC ‘regula meios, não regula jornalistas’, mas há uma vertente que toca os jornalistas e esse é o do acesso às fontes. ‘Quando temos queixas desse género, procuramos dar-lhes prioridade’.

Maria João Taborda chamou a atenção para o facto de nos últimos 15 anos ‘o número de títulos  de Imprensa baixou de cerca de 3000 para 1500, números redondos’, o que quer dizer alguma coisa. E sublinhou que a liberdade de Imprensa ‘é condicionada por vários fatores sejam económicos, políticos ou geopolíticos mas no nosso caso é mais o económico’, sublinhando como hoje há muitas plataformas que estão em mãos duvidosas.  ‘Elas nem têm rosto em Portugal, mas seguindo a sua ação vê -se que não é por acaso que vemos, por exemplo, ataques furiosos de donos dessas plataformas contra a Comissão Europeia e que não acontecem por acaso – as liberdades estão sob ataque’. Para a assessora da ERC ‘o Jornalismo perdeu percepção de valor’ ainda que continue fundamental na sociedade.

Jacinto Godinho (RTP): ‘Os jornalistas têm que ter iniciativa e ser um jornalista realizado e bem pago não está fora de causa’

Jacinto Godinho, que tem uma atividade de professor para além de ser Jornalista, elogiou a ação do CNID, lembrando passos da sua história e relevando ‘que o CNID foi uma das primeiras associações a lutar pela dignificação da profissao’.

Fez um repto a certa altura: ‘O jornalista tem que ter iniciativa, tem que fazer uma coisa que hoje vejo pouco que é procurar a noticia e depois tem que procurar ser bom nisso, encontrar formas imaginativas de dar a notícia. O Jornalismo está em dificuldades mas outras profissões também estão. O jornalista tem que ser melhor, quanto melhor souber ler a realidade melhor será, melhores reportagens fará seguramente. E não está fora de causa ser um jornalista realizado e bem pago – há muitos’. Godinho esteve muito ligado à Comissão da Carteira e deixou um número: ‘As carteiras estabilizaram à volta dos 5 mil, mas há também os equiparados e diretores equiparados que são um problema’.

Paulo Couraceiro (Obercom): ‘Os estudos mostram que os jornalistas recorrem muito ao chatgpt para confirmar factos’

Paulo Couraceiro, do Obercom, falou dos estudos que têm sido feitos sobre as mudanças tecnológicas do jornalismo. Os estudos ‘mostram o receio da incerteza perante o futuro’ da Inteligência Artificial por exemplo. Mas quando lhes perguntam sobre as mudanças tecnológicas que enfrentaram nos últimos dez anos e foram muitas também, ‘a resposta em grande maioria, de 70%, é que se adaptaram bem’. Falou da tendência ‘que se nota de uma maior dependência tecnologica’ é um terço diz que utiliza o chatgpt ‘para confirmar factos’, o que não é muito jornalístico e falou ‘dos vieses das ferramentas algorítmicas’, que nem sempre são fiáveis. E falou ‘do lado humano do relacionamento com as fontes’ que dificilmente pode ser feito através da tecnologia. E lembrou como o jornalismo desportivo é importante como forma de ‘unir comunidades’ por exemplo.

 

Conferência na ESCS. As notícias da morte do Jornalismo são manifestamente exageradas

O primeiro painel da tarde era de enorme peso Jornalístico: Bernardo Ribeiro (diretor do Record), José Manuel Fernandes (Publisher do Observador), Hugo Gilberto (RTP e também professor na Universidade da Maia) e José Manuel Ribeiro (diretor do Canal 11). O moderador foi Luís Cristóvão, vice-presidente do CNID.

Bernardo Ribeiro falou da importância ‘da história, dos factos, da notícia’, do aprofundamento dos temas que os jornalistas têm que ser capazes de fazer. ‘De resto não acho que o Jornalismo desportivo enfrente desafios diferentes do jornalismo em geral’.

José Manuel Fernandes chamou muito a atenção para que os Jornalistas não se devem deixar impressionar por chavões. ‘Hoje diz-se muito que as pessoas não aguentam textos longos, coisas longas. Não é verdade. Aqui há tempos eu próprio vinha numa viagem de comboio de Sintra para Lisboa e li cinco páginas de jornal no telemóvel. É preciso é saber prender a atenção do leitor, com temas interessantes, coisas novas’. Para o ‘Publisher’ do Observador ‘o público hoje, que são vocês claro, é muito menos passivo, procura o que quer ler ou ver’.

Hugo Gilberto foi de opinião que ‘o anúncio da morte do Jornalismo é manifestamente exagerado’. Mas notou que há uma tendência ‘de profissionalização das fontes e de proletiarização dos jornalistas’, o que não é bom. Para ele, ‘a frase de Vitor Hugo, que diz que o moinho pode não estar lá mas o vento continua sempre’ aplica-se também ao mundo, que precisa de jornalistas. Reconheceu que ‘há cada vez menos jornalistas a cobrirem acontecimentos no estrangeiro, por exemplo’ e concordou com Bernardo Ribeiro sobre a necessidade de ter e saber contar boas histórias. E sublinhou:’Atenção que o mais importante para um jornalista é a sua credibilidade. Esse é um dos pilares fundamentais e eu tentei ao longo da minha carreira nunca ser desmentido’.

Jose Manuel Rubeiro teve uma intervenção provocadora. ‘A liberdade de Imprensa é uma coisa que não existe na verdade, porque os Jornalistas não são livres, têm que obedecer a uma Ética e a uma série de códigos – mas há de facto gente com grande liberdade para dizer asneiras inconcebíveis’.

Para o diretor do Canal 11, ‘um dos grandes problemas é que dantes o Jornalismo era o que as pessoas precisavam e hoje os jornalistas dão o que as pessoas querem’. E defendeu que no Canal 11 consegue fazer até ‘serviço público’ no seu programa, procurando temas mais profundas como Economia. ‘Porque falemos por exemplo de uma estrela do jornalismo de hoje, chamado Fabrizio Romano. Escreve umas coisas nas redes sociais e tem uma característica que é acertar muito nas notícias do mercado e isso dificilmente se faz sem informação interna. Ou seja, a certa altura estamos a falar numa pessoa que é uma marioneta dos empresários de futebol’.
Noutro passo disse que neste momento ‘as tv estão a preparar o Mundial e a grande questão é quem vão contratar entre influencers e youtubers que não acrescentam uma linha em termos de informação’.

José Manuel Ribeiro (diretor do Canal 11): ‘os jornalistas de certa maneira não têm liberdade, porque têm que obedecer a uma série de códigos e à Ética, enquanto há por aí muita gente com liberdade para dizer asneiras’

Bernardo Ribeiro (diretor de Record): ‘Não tenho problema com youtubers e influencers e acho que os jornalistas devem saber aproximar-se dos mais novos. O meu filho mais novo tem 27 anos, é jogador de futebol e consome muito futebol, mas não tem televisão’

José Manuel Fernandes (‘Publisher’ do Observador): ‘Há ideia que ninguém aguenta já coisas longas e não é verdade. No YouTube não há só coisas curtas e os podcasts com mais sucesso têm 40, 50 minutos, uma hora ou duas. É preciso é saber prender as pessoas’

Hugo Gilberto, jornalista da RTP: ‘As notícias da morte do Jornalismo são manifestamente exageradas. Há aquela frase que é do Vitor Hugo e que diz o moinho pode já não estar lá, mas o vento continua sempre. E para o jornalista o mais importante é a credibilidade’

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Programa da Conferência na ESCS

A conferência com que se iniciam as comemorações dos 60 anos do CNID realiza-se dia 5, terça-feira na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa.

O programa é o seguinte:

‘CNID, 60 anos: Perspetivas sobre o presente e o futuro do jornalismo de desporto’
16h45 – Cerimónia de abertura

Presidente da ESCS, André Sendin

Presidente do LIACOM, Jorge Veríssimo

Presidente do CNID, Manuel Queiroz

17h – 1.º painel

‘O jornalismo desportivo em mudança: da sustentabilidade à identidade editorial’

Bernardo Ribeiro – Diretor do Record
Hugo Gilberto – Jornalista da RTP
José Manuel Fernandes – Publisher do Observador

José Manuel Ribeiro – Diretor do Canal 11

Moderação: Luís Cristóvão (CNID)

18h – 2.º painel
‘Jornalismo e jornalistas: desafios, limites e horizontes’

Ana Isabel Costa – Vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas

Jacinto Godinho – Jornalista da RTP, professor universitário e investigador do CICANT

Maria João Taborda – Assessora do Conselho Regulador da ERC

Paulo Couraceiro – Investigador do OBERCOM e do CECS-UMinho
Paulo Ribeiro – Membro do Secretariado da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista

Moderação: Maria José Mata (ESCS/ LIACOM)