Conferência na ESCS. As notícias da morte do Jornalismo são manifestamente exageradas

O primeiro painel da tarde era de enorme peso Jornalístico: Bernardo Ribeiro (diretor do Record), José Manuel Fernandes (Publisher do Observador), Hugo Gilberto (RTP e também professor na Universidade da Maia) e José Manuel Ribeiro (diretor do Canal 11). O moderador foi Luís Cristóvão, vice-presidente do CNID.

Bernardo Ribeiro falou da importância ‘da história, dos factos, da notícia’, do aprofundamento dos temas que os jornalistas têm que ser capazes de fazer. ‘De resto não acho que o Jornalismo desportivo enfrente desafios diferentes do jornalismo em geral’.

José Manuel Fernandes chamou muito a atenção para que os Jornalistas não se devem deixar impressionar por chavões. ‘Hoje diz-se muito que as pessoas não aguentam textos longos, coisas longas. Não é verdade. Aqui há tempos eu próprio vinha numa viagem de comboio de Sintra para Lisboa e li cinco páginas de jornal no telemóvel. É preciso é saber prender a atenção do leitor, com temas interessantes, coisas novas’. Para o ‘Publisher’ do Observador ‘o público hoje, que são vocês claro, é muito menos passivo, procura o que quer ler ou ver’.

Hugo Gilberto foi de opinião que ‘o anúncio da morte do Jornalismo é manifestamente exagerado’. Mas notou que há uma tendência ‘de profissionalização das fontes e de proletiarização dos jornalistas’, o que não é bom. Para ele, ‘a frase de Vitor Hugo, que diz que o moinho pode não estar lá mas o vento continua sempre’ aplica-se também ao mundo, que precisa de jornalistas. Reconheceu que ‘há cada vez menos jornalistas a cobrirem acontecimentos no estrangeiro, por exemplo’ e concordou com Bernardo Ribeiro sobre a necessidade de ter e saber contar boas histórias. E sublinhou:’Atenção que o mais importante para um jornalista é a sua credibilidade. Esse é um dos pilares fundamentais e eu tentei ao longo da minha carreira nunca ser desmentido’.

Jose Manuel Rubeiro teve uma intervenção provocadora. ‘A liberdade de Imprensa é uma coisa que não existe na verdade, porque os Jornalistas não são livres, têm que obedecer a uma Ética e a uma série de códigos – mas há de facto gente com grande liberdade para dizer asneiras inconcebíveis’.

Para o diretor do Canal 11, ‘um dos grandes problemas é que dantes o Jornalismo era o que as pessoas precisavam e hoje os jornalistas dão o que as pessoas querem’. E defendeu que no Canal 11 consegue fazer até ‘serviço público’ no seu programa, procurando temas mais profundas como Economia. ‘Porque falemos por exemplo de uma estrela do jornalismo de hoje, chamado Fabrizio Romano. Escreve umas coisas nas redes sociais e tem uma característica que é acertar muito nas notícias do mercado e isso dificilmente se faz sem informação interna. Ou seja, a certa altura estamos a falar numa pessoa que é uma marioneta dos empresários de futebol’.
Noutro passo disse que neste momento ‘as tv estão a preparar o Mundial e a grande questão é quem vão contratar entre influencers e youtubers que não acrescentam uma linha em termos de informação’.

José Manuel Ribeiro (diretor do Canal 11): ‘os jornalistas de certa maneira não têm liberdade, porque têm que obedecer a uma série de códigos e à Ética, enquanto há por aí muita gente com liberdade para dizer asneiras’

Bernardo Ribeiro (diretor de Record): ‘Não tenho problema com youtubers e influencers e acho que os jornalistas devem saber aproximar-se dos mais novos. O meu filho mais novo tem 27 anos, é jogador de futebol e consome muito futebol, mas não tem televisão’

José Manuel Fernandes (‘Publisher’ do Observador): ‘Há ideia que ninguém aguenta já coisas longas e não é verdade. No YouTube não há só coisas curtas e os podcasts com mais sucesso têm 40, 50 minutos, uma hora ou duas. É preciso é saber prender as pessoas’

Hugo Gilberto, jornalista da RTP: ‘As notícias da morte do Jornalismo são manifestamente exageradas. Há aquela frase que é do Vitor Hugo e que diz o moinho pode já não estar lá, mas o vento continua sempre. E para o jornalista o mais importante é a credibilidade’

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