O presidente-adjunto do CNID – Associação dos Jornalistas de Desporto fez o seguinte discurso, que publicamos na íntegra, na abertura da Gala 2026, na Arena FPF, Oeiras:

Paulo Sérgio, presidente-adjunto do CNID
‘Boa tarde a todas e a todos.
Em primeiro lugar gostaria de, em nome do CNID, agradecer à Federação Portuguesa de Futebol por nos acolher aqui na Cidade do Futebol, neste dia tão especial para nós!!!
Para o CNID e para o jornalismo desportivo em Portugal.
São 60 anos de história e de muitas histórias.
Seis décadas que passaram num instante. A correr!!!
Para quem não sabe, ou não se lembra, o Clube Nacional de Imprensa Desportiva foi criado para ajudar os órgãos de comunicação social portugueses a se credenciarempara o mundial de 1966, em Inglaterra.
Nessa altura, nem tão pouco os jornalistas portugueses da área do desporto tinham direito a terem carteira profissional, porque não eram reconhecidos como jornalistas.
Eram outra coisa qualquer. Também, por isso, o CNID foi batizado como Clube e não como Associação.
Só depois do 25 de abril de 1974 as coisas mudaram e os jornalistas desportivos passaram a ser reconhecidos como tal e a terem direito a carteira profissional.
Seis décadas depois, os desafios continuam, embora diferentes.
Nem melhores nem piores, apenas diferentes.
Hoje com a crescente profissionalização das Federações Desportivas, das SAD’s e dos clubes, o CNID deixou de ter um papel ativo na credenciação dos jornalistas para as provas nacionais e internacionais.
E é pena, porque ninguém conhece melhor as necessidades dos jornalistas da área do desporto que os próprios jornalistas aqui representados pelo CNID.
Mas há mais…
Em 2026, as nossas preocupações são outras, talvez mais complexas.
A Inteligência Artificial.
A desinformação.
A redução do número de jornalistas nas redações. A crescente precarização do seu trabalho.
A falta de experiência de muitos desses jovens jornalistas.
Os órgãos de comunicação social dos clubes e das Federações Desportivas com acesso cada vez mais privilegiado e único às fontes.
Mesmo assim, parece evidente que o jornalista como mediador faz cada vez mais falta, porque como tantas vezes ouvimos e com inteira propriedade, uma democracia, sem jornalismo sério, competente e, principalmente, livre não é uma verdadeira democracia.
Neste dia de festa, é também a oportunidade de premiarmos os melhores de nós.
Para todos eles os nossos parabéns.
Para os mais jovens e sobretudo para os mais velhos, este é o nosso reconhecimento pelo que fizeram e ainda continuam a fazer.
Sessenta anos depois ainda cá estamos e para ficar.
Não é uma ameaça. Longe disso. É, apenas, a realidade.
Muito obrigado’.









