Football Summit. O jornalista nunca está de folga

 

Ornstein, Seb e Laura no palco principal do Football Summit, na Cidade do Futebol

David Ornstein, Seb-Stafford Bloor, ambos jornalistas do The Athletic, e Laura Williamson, moderadora da conversa e a editora deste site do desporto do New York Times, descreveram no palco principal do Football Summit os seus dias durante as janelas de transferências futebolísticas.

Foi um painel único, só com jornalistas, porque o The Athletic é ‘partner’ do Football Summit e é uma das realidades mais interessantes do novo panorama jornalístico no desporto, nascido na Inglaterra em 2016 e comprado pelo NYT em 2022 por 550 milhões de dólares. Hoje ‘ganhamos dinheiro’, diz Laura Williamson.

‘Muitas noites sem dormir’, diz Ornstein, inglês, antes jornalista na BBC. ‘Vamos tendo algumas pessoas em Espanha, em França, mas tudo começa às vezes num aperto de mão com alguém, num café ou num almoço. Depois vamos recolhendo informações e completando o puzzle. O The Athletic, nas grandes transferências, não se limita a dar a informação, faz uma apresentação do jogador, eventualmente com vídeo procurando perceber o que pode trazer àquela equipa’.

Seb-Stafford Bloor tem a sua base na Alemanha e dizia a certa altura que fala muito com Ornstein ‘mas é raro poder dar-lhe uma notícia – ele já ouviu falar, ou já sabe. É um trabalho muito difícil e é incrível como as pessoas se interessam por isso, pelas transferências de jogadores, pelos rumores. É incrivel’.

Ornstein destacou que parece haver tendência para mais transferências dentro da Premier League inglesa. E deixou outra ideia: ‘Não se conseguem estas histórias por magia e hoje as transferências de jogadores são um desporto dentro do desporto. E é muito importante falar com as pessoas todos os dias e criar relações, porque num mundo cheio de criadores de conteúdos e cada vez mais jornalistas, a credibilidade é algo incrivelmente poderoso’.

David Ornstein diz que ‘publicar notícias sobre transferências antes de serem assinadas é uma questão de critério e de julgamento em cada circunstância’. Há a tradição italiana, em que qualquer rumor (ou quase) tem direito a aparecer nas páginas dos jornais, enquanto a tradição anglo-saxónica é mais contida. ‘Sim, mas na verdade hoje o interesse é tão grande… claro que muitas notícias não se confirmam, o que não quer dizer que não tenha havido negociações e isso pode ou é mesmo notícia em si mesmo e essa informação pode ser até um indicador importante em muitos sentidos sobre que tipos de jogador aquele clube quer e quanto está disposto a pagar por eles’.

Este foi um dos pontos altos do último dia do congresso organizado pela FPF na Cidade do Futebol. Poucas horas depois, ainda de Lisboa, David Ornstein dava outra notícia muito importante em primeira mão: o Manchester City tinha sido considerado culpado em 114 das 115 acusações sobre diversos aspetos, nomeadamente patrocínios que iludiam as normas da Premier League e que expõem o clube a várias punições. Um Jornalista nunca está de folga…